Adriana Barretta Almeida possui graduação em Linguística pela Universidade de São Paulo (1997). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em ensino do inglês para crianças, adolescentes e adultos. Possui graduação em Artes Visuais pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, e especialização em Artes Visuais – Cultura e Criação pelo Senac-PR. Mestranda em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná. Seu livro A Última Folha, de 2017 foi escrito em formato bilíngue – inglês e português.

1) Como foram os seus primeiros passos como escritor/ escritora? Conta para nós sobre o início de sua carreira?

É difícil definir um início de carreira. Escrever (e ler) sempre forma pra mim formas de organizar o mundo. Mas a estreia como escritora publicada foi em 2017, com o livro A Última Folha.Essa é uma história que, como outras antes dela, não havia sido escrita com intenção de publicação. Ela nasceu como uma história para meu filho, pequeno na época,  que amava folhas e galhos e tinha um planeta imaginário chamado “Folhar”. Num dia de setembro de 2015, conheci a artista plástica Rosângela Grafetti numa feira literária, e conversa vai, conversa vem, fiquei sabendo que em sua pintura, ela estudava árvores. E contei que eu tinha uma história sobre uma folhinha. E pensamos que daí podia nascer um livro.

2) Na sua infância, como foi o seu contato inicial com a literatura? Qual estória, livro ou gibi que mais te marcou quando pequeno/pequena?

Cresci na década de 70, e não havia nem em minha casa, nem na minha escola a cultura dos livros infantis. Mas por minha sorte, tive acesso à coleção completa do Monteiro Lobato, herdada de uma tia. E o Sítio do Pica-Pau amarelo foi meu lugar de sonho por muito tempo. Na minha primeira infância não houve livros, mas tive duas avós e uma avô que eram contadores de histórias incríveis.

3) Qual é o estilo de estórias que mais te prende em um livro? O seu gênero literário favorito.

Não tenho um gênero preferido. Acho que qualquer gênero pode render uma boa história.

4) Como você tem percebido o perfil da geração atual de leitores, suas preferências e hábitos?

Acho que as crianças e jovens leem mais agora do que há algumas décadas atrás. A literatura infantil brasileira deu um salto enorme de qualidade e de títulos disponíveis. E as crianças leem como vivem: com curiosidade, com intensidade e inteireza. . Recebo muitas mensagens dos meus pequenos leitores que se encantam, e me encantam com a relação tão profunda que têm com a leitura.  Quanto aos os adolescentes, me parece que se envolvem mais com a leitura hoje, talvez muito por conta das redes sociais, que permitem que se compartilhe o que é lido, como em fanpages e vídeos de booktubers. A leitura é um ato social. Conversar e vivenciar o que se lê transforma a leitura numa atividade muito mais prazerosa.

5)Para você, qual é o papel do espaço escolar e das bibliotecas na formação de cidadãos, leitores e possíveis futuros escritores e escritoras?

Para muitas crianças, a escola e a biblioteca são os primeiros lugares onde terão contato com o livro, e são, portanto, fundamentais. A escola tem tudo para transformar a leitura numa atividade atraente se conectar o que se lê com a vida dos estudantes, se criar grupos de discussão, atividades interessantes relacionadas às histórias, grupos de escrita. O triste é ver escolas estabelecendo provas e um número de leituras obrigatórias para “criar o hábito” de ler. Leitura (e escrita) é intimidade, é paixão, não hábito.

6) Qual é o recado que você daria para jovens que se interessam pela escrita literária e tem vontade de entrar nesse ramo?

Leiam, escrevam, compartilhem o que vocês escrevem. E mantenham a paixão acesa.