1) Como foram os seus primeiros passos como escritor/ escritora? Conta para nós sobre o início de sua carreira?

Comecei a experimentar com a escrita relativamente cedo, lá pelo ano 2000 (eu tinha 19 anos). Meu primeiro livro, porém, é de 2010.  Nesses dez anos fui aprimorando, além de me formar, casar, viajar pelo mundo… levou um tempo até ter algo que eu considerava ser bom para a publicação. Muita coisa que escrevi simplesmente joguei fora.

2) Na sua infância, como foi o seu contato inicial com a literatura? Qual estória, livro ou gibi que mais te marcou quando pequeno/pequena?

Quando pequeno eu gostava muito de ler gibis, principalmente de super-heróis, que na época não era algo tão conhecido quanto é hoje. Poucas pessoas sabiam  a respeito e menos ainda gostavam. Até hoje leio muito. Quanto a livros, na década de 80 havia uma coleção da editora Ediouro, chamada Elefante, que publicava versões juvenis de clássicos da literatura – Júlio Verne, Victor Hugo, Oscar Wilde, etc. – de que eu gostava bastante. Muita gente que foi criança na época recorda com saudosismo uma série da editora Ática chamada Vaga-Lume, mas eu não suportava! Além disso, meus pais tinham uma biblioteca grande, e eu, como é natural, gostava de pegar os livros que eles liam. Minha mãe era fã da Agatha Christie, e li várias obras dela quando era criança.

3) Qual é o estilo de estórias que mais te prende em um livro? O seu gênero literário favorito.

Gosto de contos. Romances longos precisam ser muito bons para que eu admire. Prefiro livros realistas, que tratem de questões políticas e sociais.

4) Como você tem percebido o perfil da geração atual de leitores, suas preferências e hábitos?

Posso responder melhor a respeito das crianças, visto meu trabalho de contação em escolas. Acredito que as crianças e os jovens, dada liberdade, não teriam porque não se tornarem grandes leitores, com capacidade de escolha e crítica. Mas se os pais não incentivam, se recusam a “gastar dinheiro” comprando livros, as crianças não lerão, independente se hoje, trinta anos atrás, trinta anos no futuro. Os pais, hoje, preferem deixar os filhos em frente ao computador, à televisão. Ler é um costume.

5) Para você, qual é o papel do espaço escolar e das bibliotecas na formação de cidadãos, leitores e possíveis futuros escritores e escritoras?

A importância é inegável. Continuando da questão anterior, pelo menos é uma opção para os estudantes quando em casa não há o hábito de leitura. Bons professores podem compensar qualquer falta.

6) Qual é o recado que você daria para jovens que se interessam pela escrita literária e tem vontade de entrar nesse ramo?

Estudem, consigam um diploma, tenham um bom emprego. Sei que isso pode soar estranho, mas mais importante que escrever livros e ter algum “sucesso” (o que quer que isso signifique), mais importante é viver bem. A maior parte dos grandes autores possuíam e possuem empregos comum, seja como professores, jornalistas, bancários, médicos ou lavadores de pratos. Geralmente apenas tarde em suas carreiras, quando há uma quantidade suficiente de obras para gerar rendimento constante, que escritores podem se dedicar exclusivamente a isso. Sei que há exceções, mas eu não sugiro a ninguém que conte com a sorte. Vendas não dependem de talento.