Paulista radicada em Curitiba há 20 anos, é artista atuando na área de ilustração infantil. Em 2014, escreveu “Meu amigo Boris”, lançado de forma independente. A partir daí, ilustrou mais de duas dezenas de livros para editoras de Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná, tendo participado da Bienal do Rio de Janeiro / 19.

Na área de educação, participou de programas de governo estadual e municipal de incentivo a cultura, como o Fera e o Com Ciência. Seu atelier em Curitiba, o Ma Fille, além de espaço para oficinas diversas destinadas a todas as idades, é também o nome da marca de uma linha de produtos desenvolvidos a partir de suas constantes experiências com ilustrações.

1) Como foram os seus primeiros passos como escritor/ escritora? Conta para nós sobre o início de sua carreira?

Em 2014, insatisfeita com o rumo que havia dado à minha vida profissional até então, decidi abandonar um emprego estável e passei a me dedicar integralmente a trabalhos autorais em que pudesse criar e realizar uma produção artística. Apenas três meses após me afastar do ensino formal, publiquei de modo independente meu primeiro livro, Meu amigo Bóris, um projeto engavetado que havia sido escrito num momento bem crítico pelo qual passei.

2) Na sua infância, como foi o seu contato inicial com a literatura? Qual estória, livro ou gibi que mais te marcou quando pequeno/pequena?

Livro era objeto raro na minha infância, só pude ter contato com livros na idade escolar, por meio da biblioteca da escola. Quando descobri esse universo, a literatura preenche muitas carências que uma criança humilde pode ter. Lembro até hoje o primeiro livro que li, “Nas terras do rei café”, do Francisco Marins.  Fiquei extasiada com a força da história na minha imaginação, era como um filme que podia passar dentro da minha cabeça. Diante daquela descoberta, fiquei ávida por mais experiências similares. Já tinha sido contagiada pela leitura.

3) Qual é o estilo de estórias que mais te prende em um livro? O seu gênero literário favorito.

Não tenho um gênero literário favorito. Leio tudo. A leitura que me convence é aquela me traz uma experiência que me acrescenta ou me instiga.

O frescor da leitura é sempre a honestidade do autor.

4) Como você tem percebido o perfil da geração atual de leitores, suas preferências e hábitos?

Minha experiência nas escolas me mostrou um cenário inóspito para leitura. Há uma falha abissal quando se deixa na mão de um não leitor a formação de um leitor… Nas escolas, a grande maioria não lê e quando percebo que leem é porque foram contaminados pelos blockbuster… A semente da leitura blockbuster não vinga, ela se esvai no mesmo passo que a febre do sucesso declina, porque a leitura nunca foi o foco, a leitura era o complemento do objeto em foco, a semente era fake, não brota.

5)Para você, qual é o papel do espaço escolar e das bibliotecas na formação de cidadãos, leitores e possíveis futuros escritores e escritoras?

O sucesso para a formação de leitores está em a escola fornecer um espaço para que leitores/autores formem leitores. Esse contato direto é muito eficiente. Temos experiências diárias com o Coletivo Era uma vez. O Coletivo é um encontro de autores/ilustradores que somam experiências em prol da leitura. Visitam escolas, contam histórias, palestram, dão oficinas, enfim, por onde passam criam um ambiente de imersão literária muito rico e contagiante.

Um novo leitor, um novo autor só nasce quando é inspirado por outro.

6) Qual é o recado que você daria para jovens que se interessam pela escrita literária e tem vontade de entrar nesse ramo?

A melhor forma de entrar no mundo literário é ler muito, conhecer vários gêneros literários, criando uma bagagem diversa de pontos de vista e perspectivas de mundo.

Estar atento ao mundo que o rodeia seria um segundo passo, e quando surgir a necessidade de falar sobre ele é porque chegou a hora da escrita.