Relato de experiência:

Uma obra, ao se tornar uma literatura clássica, já ultrapassou os limites do entretenimento e passou a ser um importante registro histórico, que nos mostra os costumes, as linguagens, o contexto social e político de uma época que não pudemos vivenciar. Desse modo, é importante instigar os educandos a terem este olhar para a literatura clássica.

A sala de aula já é um desafio diário e ensinar a literatura clássica torna esse desafio ainda mais difícil, uma vez que, os alunos já trazem um estereótipo de que a obra não traz nada de interessante e, na maioria das vezes, conta apenas a história de um romance clichê – o que não é verdade! -. As primeiras aulas de literatura que eu dei, logo depois de formada, foram frustrantes, até que um dia ao ler Marcel Proust – um importante escritor francês -, me deparei com uma frase dele que dizia assim: “Todo leitor é, quando está lendo, um leitor de si mesmo”.

A partir daí, comecei a trazer para as aulas de literatura uma forma de fazer com que meus alunos fossem leitores de si e não apenas das obras que eu estava propondo. Meu objetivo, além de ensinar sobre os movimentos literários e seus escritores, era fazer com que eles percebessem que questões sociais, políticas, culturais, que estavam presentes nas obras, não faziam parte apenas daquele contexto do século XIX (por exemplo), mas estavam ali, presentes no nosso cotidiano. Fazê-los refletir que o preconceito, a desigualdade social, a desigualdade de gênero, a homossexualidade, sempre estiveram presentes na sociedade, o que não existia era a visibilidade. Foi então que as aulas se tornaram um importante espaço de discussão e reflexão.

Em síntese, ensinar literatura vai além de conceitos literários e biografias de escritores, ensinar literatura é ensinar a pensar a partir das obras. Além disso, hoje temos a facilidade das novas tecnologias como recursos didáticos, temos as adaptações das obras para filmes, o que nos proporciona um trabalho mais diversificado e mais interessante.

Ariadne Soares – Docente


Percepções dos estudantes

“Memórias póstumas (que na verdade são vivas) de Brás Cubas”

Em 1890, Machado de Assis trouxe uma renovação para 

a literatura com o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, iniciando o Realismo no Brasil. Esta foi a segunda obra que li do autor (a primeira foi Dom Casmurro), porém é ela quem reina em meu pódio literário. O livro marcou-me principalmente por conta de Machado ter uma naturalidade para conversar com o leitor durante a obra (muitas vezes comentava exatamente o que eu estava pensando sobre o capítulo) e a ironia nas frases, como em “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis” – a saber, Marcela foi uma namorada de Brás Cubas – Resumiria a produção literária em diálogo com o leitor, ironia marcante, tom pessimista e um incrível vocabulário machadiano.

Alexia Mendes – 3ª série A (Ensino Médio)

Minha experiência com a leitura de clássicos começou na aula sobre realismo, e a partir de lá comecei a me interessar sobre eles. A literatura clássica me ensinou muito sobre contextos históricos, linguagens de época, e a compreender o conteúdo de sala de aula, além disso, assim como outras leituras, a literatura clássica me fez ficar ainda mais fascinado pelos livros.    

Samuel Galvão – 2ª série B (Ensino Médio)